24 de set de 2009

O segredo.

Aprenda a gostar de você, a cuidar e você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você... A idade vai chegando e, com o passar do tempo, nossas prioridades na vida vão mudando...A vida profissional, a monografia de final de curso, as contas a pagar. Mas uma coisa parece estar sempre presente... A busca pela felicidade com o amor da sua vida. Desde pequenas ficamos nos perguntando "quando será que vai chegar"? E a cada nova paquera, vez ou outra nos pegamos na dúvida "será que é ele"? Como diz o meu pai: "nessa idade tudo é definitivo", pelo menos a gente achava que era... Cada namorado era o novo homem da sua vida. Faziam planos, escolhiam o nome dos filhos, o lugar da lua-de-mel e de repente... PLAFT! Como num passe de mágica ele desaparecia, fazendo criar mais expectativas a respeito "do próximo". Você percebe que cair na guerra quando se termina um namoro é muito natural, mas que já não dura mais de três meses. Agora, você procura melhor e começa a ser mais seletiva. Procura um cara formado, trabalhador, bem resolvido, inteligente, com aquele papo que a deixa sentada no bar o resto da noite. Você procura por alguém que cuide de você quando está doente, que não reclame em trocar aquele churrasco dos amigos pelo aniversário da sua avó, que jogue "imagem e ação" e se divirta como uma criança, que sorria de felicidade quando te olha, mesmo quando está de short, camiseta e chinelo. A liberdade, ficar sem compromisso, sair sem dar satisfação já não tem o mesmo valor que tinha antes. A gente inventa um monte de desculpas esfarrapadas, mas continuamos com a procura incessante por uma pessoa legal, que nos complete e vice-versa. Enquanto tivermos maquiagem e perfume, vamos à luta... e haja dinheiro para manter a presença em todos os eventos da cidade: churrasco, festinhas, boates na quinta-feira. Sem falar na diversidade que vai do Forró ao Beatles. Mas o melhor dessa parte é se divertir com as amigas, rir até doer a barriga, fazer aqueles passinhos bregas de antigamente e curtir o som... Olhar para o teto, cantar bem alto aquela música que você adora. Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele cara que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o homem da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.


O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!


(Mario Quintana)

22 de set de 2009

Afinal, Conclusão





















"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo."



(Caio Fernando Abreu)

21 de set de 2009

Complicado...

Homem não gosta de mulher que insiste com recados consecutivos, mas também não gosta de mulher que não telefona.
Mulher não gosta de homem que a persegue, mas também não gosta de homem que não a procura.
Homem não gosta de mulher fácil, mas também não gosta de mulher difícil.
Mulher não gosta de homem doce, mas também não gosta de homem rude.
Homem não gosta de mulher que fica com muitos, mas também não gosta de encalhada.
Mulher não gosta de mulherengo, mas também não gosta de travado.
Homem não gosta de ser questionado, mas também não gosta de ser esquecido.
Mulher não gosta de ser contrariada, mas também não gosta de gente passiva.
Homem não gosta de estardalhaço, mas não adia uma bagunça.
Mulher gosta de estardalhaço, desde que não vire bagunça.
Homem não gosta de ser debochado, mas também não suporta ser levado sempre a sério.
Mulher não gosta de brincadeiras sem graça, mas não admite a ausência de brincadeiras.
Homem não gosta de fofoca, mas é o primeiro a contar as novidades aos amigos.
Mulher gosta de fofoca, mas deseja preservar sua privacidade.
Homem não gosta de jantar na casa da sogra, mas também precisa dela.
Mulher não gosta de ser comparada com as antigas namoradas, mas também quer saber todos os detalhes.
Homem não gosta de ser surpreendido, mas também não gosta de saber antes.
Mulher adora um mistério, mas com aviso prévio.
Homem não gosta de comprar lingerie, mas também é o primeiro a criticar a que ela está usando.
Mulher ama comprar lingerie, mas também é a primeira a dizer que a incomoda.
Mulher prefere calcinha bege, não aparece com a roupa.
Homem abomina calcinha bege, aparece demais quando ela tira a roupa.
Homem não gosta de discutir relacionamento, mas também não gosta do silêncio.
Mulher gosta de discutir relacionamento, mas odeia chorar no meio da briga.
Homem não tolera filmes românticos, mas não desliga quando reprisados na tevê.
Mulher não agüenta filmes de ação, mas também é um alívio não pensar muito.
Homem tem dificuldades para se declarar, mas faz o impossível para ser denunciado.
Mulher espera declarações, mas não quando está se arrumando.
Homem reclama dos atrasos, mas também detesta quem chega antes.
Mulher odeia a impaciência do homem, mas também se enerva com a letargia.
Homem não resiste a um videogame, mas também não deseja ser chamado de criança.
Mulher abusa dos diminutivos, mas também diz que cresceu.
Homem pede desculpa quando machuca, mas não aceita desculpa quando machucado.
Mulher se desculpa antes de errar, depois não se lembra.
Mulher desvia o assunto quando se desinteressa, mas não gosta que não prestem atenção nela.
Homem não gosta de ser interrompido, mas vive interrompendo.
Mulher admira poesia, mas não no sexo.
Homem procura agradar a mulher ao recitar poesia no sexo.
Homem não gosta de unhas vermelhas, mas fica excitado com elas num filme pornô.
Mulher gosta de unhas vermelhas porque detesta filme pornô.
Mulher anseia pelas flores, mas nunca tem um vaso para colocá-las.
Homem gosta de mandar flores, mas desiste na hora de escrever o cartão.
E ambos não gostam do meio-termo.
(Fabrício Carpinejar)

20 de set de 2009

Rifa-se um coração

Rifa-se um coração. Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista. Um coração como poucos. Um coração à moda antiga. Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu...


"... não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".


Um idealista... Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:


"O Senhor pode conferir.
Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer"


Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta



(Clarice Lispector)



18 de set de 2009

Cabeça nas nuvens e pés no chão

Eu era uma pessoa que possuía sonhos como injeções de motivação, uma espécie de segurança e porto seguro, que por falta de coragem ou comodismo, não ousei sonhar mais. Acho que tinha medo do que viria após realiza-las quais sonhos viria em seguida, tinha medo da distancia que poderia ter de mim. E também porque possuía um repertorio de desculpas para usar na vida toda vez que algo me frustrasse, uma espécie de cano de escape infinito jogando todo o peso no futuro.“quando tiver um” ou “quando eu for um”.

Ai está um dos maiores problemas do mundo, as pessoas vivem uma parte delas apenas o presente e a outra parte apenas o futuro.
Problema de viver apenas o presente, é que o tempo parece passar devagar, no sentido que, por não possuir metas ou referencias, não percebemos quando crescemos e adquirimos responsabilidades, pelo menos isso aconteceu comigo.
Já os que vivem apenas o futuro perdem motivação fácil, assim como mudam de sonhos e ficam tão ocupados com suas metas que não vivem suas vidas, o que também já me aconteceu.

Chamo de eu-inseto os que vivem apenas o presente e eu-robó os que vivem apenas o futuro.

Inseto porque vivemos como se fossemos morrer amanha e vivemos o hoje de uma forma tão intensa que a vida se torna medíocre por não construir nada, uma vida de poucos feitos, mas boas lembranças.

O robô porque juramos que vamos viver eternamente, buscamos fazer algo notável para sermos imortalizado, mas passamos a ser conhecido por algo e não alguém. (nomes de ruas, nomes de hospitais... quero ser mais que isso.) e robô... é coisa do futuro.


Quero nem ser inseto nem ser robô
Quero ser bicho homem
Ser humano com louvor
Quero gloria de conquista
Ambição de evoluir.
Eu quero a cada passo para a meta
Sentir a felicidade da jornada
E também o prazer de chegar ao fim.
Quero nem ser inseto nem robô
Só busco seguir minha jornada
Com o prazer de um explorador.


Então seguirei meu silencio e me dedicarei, alguns acreditarão que estarei abandonando-os outros que me tornei menos divertido, mas só estou crescendo, paciência...
Não se esqueçam de mim, acumulem saudade, não se esqueçam de mim.

16 de set de 2009

Quem é esse tal tempo?

Quem é esse tal tempo?! Que ousa medir meu amor por partículas iguais que chamam de segundos?! Meu coração bate como o pendulo que mede a vida sim, mas quando estou perto de você meu coração tem um compassado próprio, e perco uma vida de batidas em uma hora, mais ao invés de envelhecer me torno ainda mais jovem.
Se esse tal tempo ousa me desafiar, enfrentá-lo-ei de peitos abertos, sei que é socar ponta de faca, pois ele pode me tirar à vida em algumas primaveras, mas defenderei meu amar por você alem corpo e serei páreo para ele.
Se subestimar seu poder e ele ousar ameaçar a sua vida, lutarei com toda a amargura que ele me criou e o mundo não vai ter mais ciclo, pois manterei o tempo ocupado pelo próximo segundo como eterno. Só assim provarei para o você que meu coração bate independente do tempo. E após essa luta de titãs, retornarei com o tempo em meus braços e provarei que meu amor vence qualquer barreira.

(treço do meu futuro livro)

13 de set de 2009

Ser suficiente

Se existe um erro que costumamos cometer, é de se apaixonar pela outra pessoa sem a conhecer bem. A paixão não é cega, mas enxerga coisa onde tem outra. Passamos a ver a outra pessoa idealizada, que é o primeiro passo para o fim do namoro recém começado. Quando a dura e cruel realidade bate o sino, o perfeito vira imperfeito e o amor infinito se torna finito.

Pessoa nenhuma consegue suportar a expectativa que o outro impõe nas suas idealizações, legal e boa pinta quanto o outro deseja, sem ciúmes ou vaidoso quanto o outro cobra. Atencioso e amável quanto o outro espera que eternamente seja.

Isso é só no começo quando tudo são flores, quando as lagartas acabaram de virar borboletas. Após algum tempo as expectativas criadas passam a ser cobradas, e a pessoa outrora perfeita, linda, inteligente, espontânea se mostra quem realmente é, matando aquele personagem que o outro idealizou, que nunca existiu.

Esse texto é aquele do tipo que atinge qualquer pessoa, seja se identificando como o escritor, ou com quem escuta/lê o escritor, ou para minha própria vida de forma premeditada, coisas que sem duvida ainda irá acontecer.

Isso nos faz pensar que não nos conhecemos como imaginamos, ou que não passamos a imagem correta de nós mesmos, por exemplo, nunca conseguimos ser tão boa companhia como pensavam que fossemos. Nunca conseguimos demonstrar interesse em coisas das quais não nos atraia, mas eram um mundo para a outra pessoa, nunca fomos independentes e firmes como as outras pessoas pensavam que nos fossemos. Nunca conseguimos ser tão feliz quanto o mundo crê que somos.

Acho que as pessoas nos decoram pelos ápices dos sentimentos, os momentos de apogeu são os que marcam. Eu não sou metade do mistério que pareço ter, não tenho metade da criatividade que almejam que possuo e principalmente da minha própria companhia gosto menos do que espalho por lá e cá.

Já estive em varias relações, mas a cada dia que passa espero que se apaixonem menos por mim. Melhor que sofrer por ser apenas metade do que o outro realmente espera.
Por sorte o que acham de nós não nos define quem somos. somos seres complexos, pensantes a base de carbono, mudamos sempre de opinião, nossas verdades mudam, mais nossos valores não.

Se lhes disserem que não sou o suficiente para alguém eu me calo se for o caso, mas eu sou o suficiente, se tentarem me amar ao invés de se apaixonar por mim.

8 de set de 2009

Minha melhor companhia

Ele não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos, mas que tenho estado quieta, calada, concentrada numa vida prática e sem aquela necessidade toda de ser amada. Ele não sabe quantos livros puder ler em algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos. Ele não sabe que a cada dia eu penso menos nele, mas que conservo alguma curiosidade em saber se o seu coração está mais tranqüilo, se seu cabelo mudou, se o seu olhar continua inquieto. Ele nem imagina quanta coisa pude planejar durante esses dias todos e como me isolei pra tentar organizar todos os meus projetos. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa. Que tenho sentido mais sono e ainda assim, dormido pouco. Que tenho escrito mais no meu caderno de sonhos. Que aqui faz tanto frio, ele não sabe por mim. Ele não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre. Ele não sabe que eu entendi que se eu resolver a minha dor, ainda assim, poderei criar através da dor alheia sem precisar sofrer junto pra conceber um poema de cura. Hoje foi um dia em que percebi quanta coisa em mim mudou e ele não sabe sobre nada disso. Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.




(Marla de Queiroz)
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