13 de set de 2009

Ser suficiente

Se existe um erro que costumamos cometer, é de se apaixonar pela outra pessoa sem a conhecer bem. A paixão não é cega, mas enxerga coisa onde tem outra. Passamos a ver a outra pessoa idealizada, que é o primeiro passo para o fim do namoro recém começado. Quando a dura e cruel realidade bate o sino, o perfeito vira imperfeito e o amor infinito se torna finito.

Pessoa nenhuma consegue suportar a expectativa que o outro impõe nas suas idealizações, legal e boa pinta quanto o outro deseja, sem ciúmes ou vaidoso quanto o outro cobra. Atencioso e amável quanto o outro espera que eternamente seja.

Isso é só no começo quando tudo são flores, quando as lagartas acabaram de virar borboletas. Após algum tempo as expectativas criadas passam a ser cobradas, e a pessoa outrora perfeita, linda, inteligente, espontânea se mostra quem realmente é, matando aquele personagem que o outro idealizou, que nunca existiu.

Esse texto é aquele do tipo que atinge qualquer pessoa, seja se identificando como o escritor, ou com quem escuta/lê o escritor, ou para minha própria vida de forma premeditada, coisas que sem duvida ainda irá acontecer.

Isso nos faz pensar que não nos conhecemos como imaginamos, ou que não passamos a imagem correta de nós mesmos, por exemplo, nunca conseguimos ser tão boa companhia como pensavam que fossemos. Nunca conseguimos demonstrar interesse em coisas das quais não nos atraia, mas eram um mundo para a outra pessoa, nunca fomos independentes e firmes como as outras pessoas pensavam que nos fossemos. Nunca conseguimos ser tão feliz quanto o mundo crê que somos.

Acho que as pessoas nos decoram pelos ápices dos sentimentos, os momentos de apogeu são os que marcam. Eu não sou metade do mistério que pareço ter, não tenho metade da criatividade que almejam que possuo e principalmente da minha própria companhia gosto menos do que espalho por lá e cá.

Já estive em varias relações, mas a cada dia que passa espero que se apaixonem menos por mim. Melhor que sofrer por ser apenas metade do que o outro realmente espera.
Por sorte o que acham de nós não nos define quem somos. somos seres complexos, pensantes a base de carbono, mudamos sempre de opinião, nossas verdades mudam, mais nossos valores não.

Se lhes disserem que não sou o suficiente para alguém eu me calo se for o caso, mas eu sou o suficiente, se tentarem me amar ao invés de se apaixonar por mim.

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