30 de nov de 2009

Pouco de tudo.

Todo homem tem um pouco de Galinha, imaturo e maluco, recuso ao orgulho ao dizer: talvez não pouco... Mais sinto-me traindo o gênero quando imponho o limite de: também não muito.


Me baseio em minha própria existência, por que há de existir vários, mais só posso falar de mim, preso na benção e da maldição da minha própria vida.

Mas por que limitar-me a três características quando todo homem tem um pouco de tudo, ou não muito desse pouco? Segundo estudos, um único homem tem muitas mulheres para agradar, mais cada mulher é uma princesa de um mundo, seu próprio.

Mas nós nos acostumamos de ver princesas como puritanas, frágeis e inocentes, nos contos infantis, esquecendo o pouco puta, criança e maluca de cada uma delas, a imprevisibilidade e o mistério que apesar de ser o que mais reclamamos, é o que mais desejamos. Por que uma única coisa motiva o homem a desejar, o Desafio.

Somos como os príncipes dos contos infantis, mais as mulheres esqueceram no nosso lado galinha, imaturo e maluco.

Ao invés de usarem sua imprevisibilidade como Fabrica de desafios preferem cada dia ser mais parecidas umas com as outras.

Para agradar a quem não quer ser agradado, por que no fim das contas, quem tem de agradar é o príncipe.

Proponho uma nova geração de contos infantis, que não destruam minha personalidade estrutural de infância, que as mensagens subliminares deixem de ser subliminares, queremos que as crianças entendam que de nada vive o mundo sem amor, e que não somos caçadores e caça e nem caça e caçador, mas que toda mulher é dona de seu próprio mundo e que todo homem está em busca de ser sua lua, afinal, mesmo presos no nosso pouco de tudo, o que importa é darmos de tudo nesse pouco.

(Leonardo Compasso)

26 de nov de 2009

Não goste apenas do amor.












"Goste de alguém que te ame, alguém que te espere, alguém que te compreenda mesmo nos momentos de loucura. De alguém que te ajude, que te guie, que seja seu apoio, tua esperança, teu tudo.

Goste de alguém que não te traia, que seja fiel, que sonhe contigo, que só pense em você, que só pense no teu rosto, na tua delicadeza, no teu espírito e não no teu corpo nem nos teus bens.

Goste de alguém que te espere até o final, de alguém que seja o que você escolher.

Goste de alguém que sofra junto contigo, que ria junto a ti, que limpe tuas lágrimas, que te abrigue quando necessário, que fique feliz com tuas alegrias e que te de forças depois de um fracasso.

Goste de alguém que volte pra conversar com você depois das brigas, depois do desencontro, de alguém que caminhe junto a ti, que seja companheiro, que respeite tuas fantasias, tuas ilusões.

Goste de alguém que te ame.

Não goste apenas do amor, goste de alguém que sinta o mesmo sentimento por você."

(autor desconhecido)

25 de nov de 2009

Perdoar.


"Aprendi, outro dia que perdoar é a junção de "per" com "doar". Doar é mais do que dar. Doar é a entrega total do outro. O prefixo "per" que tem várias acepções, indica movimento no sentido "de" ou em "direção" a ou "através" ou "para" etimologicamente falando, portanto, perdoar, quer dizer doar ao outro a possibilidade de que ele possa amar, possa doar-se. Não apenas quem perdoa que se "doa através do outro". Perdoar implica abrir possibilidades de amor para quem foi perdoado, através da doação oferecida por quem foi agravado. Perdoar é a única forma de facilitar ao outro a própria salvação. Doar é mais do que dar: é a entrega total... Perdoar é doar o amor, é permitir que a pessoa objeto do perdão possa também devolver um amor que, até então, só negara."




(Arthur da Távora)

“Dar um tempo”, existe ou não?

(Post roubado do manualdocafajeste)

Recentemente tenho conversado com algumas amigas sobre essa questão, “dar um tempo”. É meio que unânime entre elas que isso não existe, que os homens apenas usam esse artifício para enrolar a coitada. Porém, posso dizer com muita confiança que em metade dos casos não é enrolação.

Claro, para uma parte dos homens essa é a melhor saída para dar um fora na garota sem ter o desgaste de ficar discutindo uma relação desgastada e não ter que aturar chororo. A maioria deles é covarde mesmo, não tem coragem de dizer ”acabou” e ai fica cozinhando a garota até ela se encher e desistir. Para outra parte dos homens, simplesmente a relação com a garota não foi tão intensa a ponto dele ter a consideração e saco para ouvir lamúrias.

Porém, quero me atentar aqui aos homens que ”dão um tempo” com intenções legítimas.

Como em todo relacionamento saudável, discussões e desentendimentos sempre vão ocorrer. É por meio deles que os mal entendidos se resolvem e obstáculos são ultrapassados. O problema é que nem sempre algumas coisas são resolvidas, mas por serem pequenas, são deixadas de lado.

Só que chega em um determinado momento que são tantas coisinhas deixadas de lado, que juntas e em um instante viram um pequeno monstrinho. E ai não tem jeito, o cara vai colocar na balança se ele realmente gosta o suficiente da garota para conviver com o monstrinho ao lado. E aqui reside a principal divergência entre o modo de agir de homens e mulheres e que as faz com que não acreditem no “dar um tempo”.

Para mulher tudo se resolve conversando. Só que nesses casos elas se esquecem de que a conversa não funcionou anteriormente e não vai ser em uma rave de DR que o monstrinho vai embora. O negócio é mais embaixo. Problemas e defeitos todo mundo tem, mas alguns deles são estruturais e não há conversa que resolva.

Ai o cara precisa desse tempo para poder avaliar o que sente pela garota com um certo distanciamento. E isso não quer dizer que ele vai pra balada na primeira noite e comer umas vagabundas. As vezes até ocorre, mas não é regra. Geralmente o cara vai retomar os hábitos de solteiro, como ouvir o seu som alto no carro, beber no bar com os amigos e fofocar sobre as piriguetices de uma conhecida, ir ao jogo de futebol sem dar satisfação a ninguém, dormir estatelado na cama e soltar pum na hora que quiser, passear sozinho no fim de semana e fazer planos pra noite, enfim, vai tentar tirar a namorada de foco e ver se dali um tempo o coração não aperta e ele não tenha vontade de voltar correndo pra garota.

Se o cara voltar, é pra ficar bem feliz, pois ele realmente sente algo muito forte. Se não voltar, paciência. Não existe alma gêmea, cara metade e demais babaquices de música romântica brega. Existe afinidade e sintonia sexual e depois de determinado momento, elas podem se enfraquecer e acabar, mas nada que não possam ser encontradas com outra pessoa.

Identificando uma ordinária

(Post roubado do manualdocafajeste)

Uma das frases mais repetidas pelas mulheres e que já caiu no lugar comum é a famosa “Não há homem que preste”. Se você perguntar para 10 mulheres o motivo pelo qual elas continuam solteiras, 80% vão soltar essa frase, 10% vão falar que estão bem sozinhas (sendo que 8% delas são um verdadeiro tribufu) e 10% vão mentir (mas na verdade estão no grupo dos 80%).


Estatísticas cafísticas a parte, é uma resposta que merece uma atenção especial. O que seria um “homem que preste?”. Aquele que…
…tenha pegada, mas que não seja pegador?;

…que seja bonitão, mas que não seja tanto a ponto da vó se interessar pelo rapaz?;

…que seja inteligente, mas que não seja nerd?;

…que seja trabalhador, mas que tenha tempo pra você?;

…que tenha dinheiro, mas que não seja esnobe?;

…que seja bonzinho, mas que não seja um bobo?;

…que seja maduro, mas que não seja um chato?;

…que seja engraçado, mas que não seja um palhaço?;

…que seja família, mas que não viva na saia da mãe?;

…que seja sociável, mas que não queira socializar com amigas?;
Enfim, algumas mulheres buscam tanto a perfeição nos homens que das duas uma, ou acabam ficando encalhadas e amargas ou ficam pulando de galho em galho (ou de cama em cama) a procura do homem perfeito. O mais triste é que esse cálculo é diretamente proporcional a idade (estou todo matemático hoje), ou seja, conforme a idade avança, a quantidade de homens tranqueira aumenta.



Porém, não recrimino essas mulheres que buscam alguém “completo” para ter um relacionamento sério. Homens que trabalham, se cuidam, com caráter, que estudam e correm atrás dos seus objetivos, também buscam uma mulher com algumas (várias) qualidades citadas acima e não vão amarrar seu burro no primeiro par de peito ou bunda empinada que aparecer (no máximo vão dar uma comidinha e descartar). E ao contrário do que algumas mulheres pensam, esses homens têm faro para mulher ordinária e as vezes não é necessário uma investigação muito profunda para identificar uma cilada. 5 pontos para identificar uma mulher ordinária em minutos de conversa:



Aparência – A mulher ordinária anda vulgarizada, com pouca roupa e muita coisa de fora. Em alguns casos precisa andar que nem uma palhaça pra mostrar que é descolada, imita a moda da novela das 9 e se veste como uma índia da 25 de março, faz uma maloca no cabelo pra mostrar que é da paz, coloca strass e acessórios brilhantes ou dourados pelo corpo para forjar um brilho que não possui.



Comportamento – A ordinária não tem meio termo ou gosta de chegar berrando para que seja o centro das atenções ou fica quieta feito uma múmia. No primeiro caso geralmente são aquelas garotas que cortam a conversa dos outros, não querem saber o que o cara tem pra dizer (a menos que seja algo que ela possa tirar proveito, como dinheiro), gesticulam feito um molusco epilético, cometem erros sutis de português (”seje”, “menas pessoas”, “mazoquista”) e não se incomodam em tirar aquele resto de remela com maquiagem na frente do rapaz e depois olhar o dedinho pra ver o que saiu. No caso da múmia, não há muito que dizer, ela só abre a boca pra colocar comida e…deixa pra lá.



Trabalho – Não é afeita ao trabalho. Ou não precisa, pois sua família banca seus caprichos e viverá a eterna geração canguru dentro da bolsinha da mamãe; ou tem preguiça. No primeiro caso, sonham em encontrar um cara rico que a banque, geralmente tem mais sorte que a segunda, pois parte desses caras também será gerente de herança. No caso da que tem preguiça, é só tristeza. Pois pobre e preguiçosa, nem o coveiro vai querer. E essa característica pra mim é muito emblemática. Digo com muita convicção que das mulheres que eu conheci, 90% das que não trabalhavam (mais matemática) eram ordinárias.



Artes – Essa é batata. A tríplice pergunta livro, cinema e teatro é capaz de identificar uma ordinária em minutos. Se a garota responder “não gosto” para duas das 3 opções, ordinarice detected. Agora, se ela falar que é fã dos livros da Gasparetto / Paulo Coelho, que amou o último filme da Xuxa na Serra Pelada e que a última peça que assistiu foi Saltimbancos, é mais do que ordinária.



Feminista de conveniência – Esse tipo é o que mais se prolifera. São aquelas garotas que querem ser iguais aos homens quando lhe convêm. Querem se deitar com quantos homens quiserem na semana pra satisfazer a sua libido, beijar amigos da mesma roda e dar no banheiro da balada e ser chamada de casta. Poreeeem, quando chega a conta do restaurante, voltam para o tempo da vovó e acham um absurdo o cara querer dividir a conta.
Veja bem, para ser uma ordinária, não é necessário preencher todos os requisitos. Uma patricinha acéfala, por exemplo, pode se comportar como uma princesa, mas o quesito trabalho já queima. Por outro lado, uma garota trabalhadora, pode se queimar no quesito “comportamento”. E assim segue a busca pelo senhor e senhora “quase” perfeitos.

Comporte-se

Concordo com Virginia Wolff quando ela diz:

Não importa o que você é um homosexual, uma prostituta ou um advogado, na sociedade, comporte-se como uma dama (ou um cavalheiro). E ponto final.

Se eu fosse Pai, eu diria (parte 1)

“Minha filha, dentre todas as suas opções, se você puder, escolha a MELHOR, principalmente se tratarem de homens….”

22 de nov de 2009

O diabo desta vida é que temos que escolher apenas um, entre cem caminhos, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove.



(Fernando Sabino)

19 de nov de 2009

trecho do filme: minhas adoraveis ex-namoradas

"Num relacionamento quem tem o poder é quem se importa menos... Mas poder não significa felicidade."

17 de nov de 2009

Et Semper!

"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

Pense em mim!

Apesar de ter escutado faz tempo, hoje me deu vontade de por a letra dessa canção aqui. escutei ela no trabalho hj, prova que nem todas as musicas que falam de emoções, não precisam ser chorosas e lamentos.

O otimismo e esperança existe nessa canção, e uma sinceridade e determinação que palavra nenhuma consegue quebra.

Achei belo, porem tem seu destaque aqui!




Pense em mim - Darvin

Inspiração dos meus sonhos não quero acordar
Quero ficar só contigo não vou poder voar
Por que parar pra refletir se meu reflexo é você?
Aprendendo uma só vida, compartilhando prazer

Por que parece que na hora eu não vou aguentar?
Se eu sempre tive força e nunca parei de lutar?
Como num filme, no final tudo vai dar certo
Quem foi que disse que pra tá junto precisa tá perto

Pensa em mim
Que eu tô pensando em você
E me diz...
O que eu quero te dizer
Vem pra cá,
Pra ver que juntos estamos
E te falar
Mais uma vez que te amo

O tempo que passamos juntos vai ficar pra sempre
Intimidades, brincadeiras, só a gente entende
Pra quem fala que namorar é perder tempo eu digo:
Há muito tempo eu não crescia o que eu cresci contigo

Juntos no balanço da rede, sob o céu estrelado
Sempre acontece, o tempo pára quando eu tô do seu lado
A noite chega eu fecho os olhos e é você que eu vejo
Como eu queria estar contigo eu paro e faço um desejo

Pensa em mim
Que eu tô pensando em você
E me diz
O que eu quero te dizer
Vem pra cá,
Pra ver que juntos estamos
E te falar
Mais uma vez que te amo.

16 de nov de 2009

O Amor acontece, não adianta forçar.


Parece que tem acontecido mais raramente, ninguém sabe ao certo por que, mas, de repente, olha lá ele.
O amor acontece quando quer, sem dar ouvidos a pedidos humanos, talvez porque apenas obedeça a ordens superiores, ou porque esteja convicto daquilo que está fazendo.
Alguém diz algo agradável e o amor acontece. Alguém diz um absurdo e o amor acontece. Alguém não diz nada e o amor acontece. Alguém canta o amor e ele acontece. Ninguém está esperando e o amor acontece.
Numa manhã meio nublada de uma data sem importância, em pleno sol de Domingo, no dia da padroeira, embaixo de um temporal, em qualquer estação do ano, às margens do Tietê, do Capibaribe, ou do Sena, não importa a ocasião, é no coração que o amor acontece.
Na teimosia de uma tarde no escritório, no meio de uma reunião, de uma ligação, de um cafezinho, acontece de o amor vir para enxotar o tédio e trazer a noite às pressas.
Entre dois adolescentes que ficam juntos numa festa, sem nenhum planejamento prévio, o "ficar" vai ficando premente, e o amor exige um namoro.
Num vigésimo "alô", quando uma voz sente vontade de falar mais, e eternamente, a despeito da conta telefônica, o impulso do amor cruza a linha de chegada.
Na platéia do cinema, acontece vez por outra: uma cena desperta uma emoção, que desperta outra, que desperta outra, e lá vem o amor provar que "a vida é amiga da arte", como diz Caetano Veloso.
Após um beijo casual, no fim de uma noite que parecia não ter futuro, duas mãos se entrelaçam com firmeza, e os corações se aquecem no aconchego do amor que acontece.
No meio da pista lotada, o rapaz enlaça a moça, ele cheira a fumaça, ela cheira a lavanda, a música tecno dá lugar a sinos, o DJ se transforma em Frei Lourenço e presencia o acontecimento.
Na frente da televisão, a paixão, já fatigada, dá um último suspiro, mas outro sentimento surge, e é o amor acontecendo em seu feitio manso.
Numa madrugada fria, debaixo de um cobertor, acontece o amor. Dentro de um carro estacionado, apesar do medo de assalto, acontece o amor. Atrás de um muro, no escuro, na moita, proibido de acontecer, ele não quer nem saber.
Acontece com a pessoa certa ou com a pessoa errada, será que o amor descrê do erro?
Acontece de acontecer de um lado só, provocando dor, mas se acontece de dois lado, como pode ser tão bom?
Acontece de várias formas, seja em encontro escondido, seja em jantar esporádico, seja em vestido de noiva, seja em casas separadas, seja em cidades distantes, e às vezes se transforma, modificando crenças e planos. Seja como for, assim penso, vale a pena comemorar o acontecido.
Acontece de durar um dia, uma noite, uma semana, um mês, um ano, uma década, uma vida, sem certificado de garantia, nem prazo de validade, ele e seus perigos, como um equilibrista no fio.
E de repente, muitas vezes, o amor vai e desacontece sem que ninguém saiba o motivo. Mas isso é uma outra história, escrita por um outro cronista.




(Adriana Falcão)

13 de nov de 2009

Ser Adulto

Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:
- ‘Ah, terminei o namoro… ‘
- ‘Nossa, quanto tempo?’
- ‘Cinco anos… Mas não deu certo… Acabou’
- É, não deu…?
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro.
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona…
Acho que o beijo é importante…e se o beijo bate…se joga…senão bate…mais um Martini, por favor…e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.
Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer…
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.
Enfim… Quem disse que ser adulto é fácil?

(Arnaldo Jabor)

uma das primeiras cronicas que li e nunca havia saido no meu blog, que pecado!

12 de nov de 2009

Jogo do amor

Amor não se mede, se confunde. É impraticável comparar relacionamentos como ofertas de lojas. Um amor que não pode ser comparado é difícil de esquecer (ainda que a separação aconteça). Aquele que já permite comparação demonstra ser pouco consistente (ainda que os dois fiquem juntos). A gente ama para quê? Para não avaliar o amor. Não conseguir acompanhá-lo é quando vai bem. Quando se começa a ter consciência do certo ou do errado é aviso prévio. Sintomático que os casais peçam conselhos aos amigos para fazer em seguida tudo diferente. Amor muda as regras de propósito, muda o telefone, muda o endereço. Quem não está jogando não entenderá. É feito somente para jogar, não ser assistido. O mistério é não entendê-lo a ponto de preveni-lo. Prevenir o amor é matar a capacidade de aprender com suas conseqüências.





(Fabrício Carpinejar)

11 de nov de 2009

'artigo' + 'subtantivo'

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.



Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.



O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.



Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.



Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.


Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.



Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.



Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.



Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.



O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
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