12 de jan de 2010

não justifique, racionalize ou tente buscar.

Quando era Guri, achava que para me tornar um homem ideal deveria ser, sobretudo inteligente. Ser o dono da razão, o mago das palavras, o vocabulário ambulante. Ousava transmitir para a pessoa, caráter adulto, desejando tornar-me investimento para o futuro, marido para apresentar a mãe.
Acontece que inteligência demais é inversamente proporcional a rir dos infortúnios da vida, brincar com o sujo, aceitando ser o mal-lavado, não se importar se o copo ta meio cheio ou meio vazio, mais saciar a sede e depois rir por lembrar que aquela era a água que restava. Rir dos problemas diminuindo a tensão dos obstáculos...

Então a verdade veio à tona, bom humor era essencial. A esse ponto já havia me tornado semi-inteligente e semi-chato

Meio que percebi que o caminho do bom humor não era tão difícil de seguir como o do inteligente, afinal não tinha livros para estudar, se aprendia errando, vale salientar que nessa época eu errava muito, foi um ótimo treino. Todo mundo gosta de ta ao lado de uma pessoa que torna o peso dos problemas como plumas, e que as palavras doces com um tempero de risada contribuía para o conforto da alma, mas o maior problema desse caminho é o vicio do mesmo, popularmente conhecido  de (uma maneira muito preconceituosa a meu ver com os profissionais da área) palhaços. Descobri que nem tudo é piada, que muitas vezes a pior coisa que alguém precisa é 'não ser levado a sério' (essa expressão não existe por acaso)

Errei na medida entre ''alegria de viver'' e ''recusa ao sair da infância''. A esse ponto já tinha me tornado semi-alegre e semi-inconveniente.

Caminhar para trás era complicado uma vez que o caminho havia sido traçado tive de desenvolver empatia, tato, tive de desenvolver um pouco do meu feminino para sacar quando era a hora de ser homem e a hora de ser moleque. Aturdido com meu aprendizado, descobri que para ser o homem ideal precisava de sensibilidade, mais descobri que não se é algo que se treina, é algo que se tem, e eu por sorte tinha, só a reprimia. Passei a ligar para desejar boa noite, lembrar de datas especiais, procurava saber todos os seus gostos para fazer as mais variadas surpresas para satisfazer sua necessidade de afeto, um homem sensível. Confesso que era uma grande arma, mais dispara fácil pela culatra, é uma arma sem controle, precisava de algo para conte-la na medida certa, algo que segurasse o coice, algo que não realizasse a garota apenas como apaziguador de seus anseios racionais. Mulheres como homens, têm instinto, e instinto causa falta sem nome, desejo sem anseio, é algo que vem bate e sequer sabemos do que se trata até nós tratarmos de conseguir.

Tratei de não recriminar meu impulso primitivo, pela sensibilidade racional tornei-me semi-sensível e semi-animal.

Agir muitas vezes sem planejar, agarrar a mulher pelo pescoço após um delicioso suco de manga bastante adocicado e envolve-la de beijos quentes sem nenhuma razão aparente. Aprendi que o melhor elogio que se pode dá a uma mulher não é flores ou palavras ou mesmo jóias. Mas é na atitude de saber tomá-la, arrancar-lhe a roupa do corpo a caminho do quarto, ser desejada de urgência, sem prévio aviso, é a explosão de afeto apos o desafeto.

Mas, depois do impulso selvagem o que resta? Uma relação não vive de urgências repentinas de virilidade e de pegadas, mas percebi que era o carro chefe de qualquer relação, mas afinal me pergunto, o que faria de mim um homem ideal, um homem a ser não desejado, mas amado?

Resolvi parar de seguir arquétipos, e foi dai que finalmente me dei conta, após quase uma vida buscando o que um dia planejo achar.

o que pode me fazer ser um homem amado: é o amor existir. É fugindo da luta que se vence a batalha, por que onde buscar amor, lá ele não existira, tentar justificá-lo irá perceber que não se trata de amor e se tentar racionalizá-lo é por que aquele nem sequer vale a pena de ser vivido.

Mas, um aprendizado importante foi: O amor é importante, porra!




(Leo Compasso)

6 comentários:

  1. amo tu metade...
    não se afasta ta?
    bjs

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  2. Ah! Tentação do sofismo... xD

    Quer ser amado? Saiba ler sua mulher.

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  3. não é sofismo, pois não delimito esse pensar para uma mulher especifica, mais pelo desejo de ser amado incondicionalmente por alguem.
    tampouco quero aprender a ler as pessoas, de que adianta ta junto de alguem previsivel? amor tem nada haver com controle ou com a ordem. ou não tem nada haver com tentar ser alguem para um outro alguem, é ser voce mesmo para que o outro tenha direito de ser quem é. passam a se somar e não se subtrair.

    não encontrei ainda, mas um dia sei que encontro. afinal o amor é importante porra.

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  4. não entendeste o que quis dizer ^^'

    "Ah! Tentanção do sofismo... xD" foi para esta parte especificamente:

    "Quando era Guri, achava que para me tornar um homem ideal deveria ser, sobretudo inteligente. Ser o dono da razão, o mago das palavras, o vocabulário ambulante."


    E mais importante, saber ler uma pessoa não significa em NADA manipular, controlar, oprimir nem algo semelhante. Significa exatamente ler, saber interpretar sinais, gostos e etc... o que agrada, o que desagrada... enfim, entendes? =]

    E pra finalizar, uma frase do grande poetinha:
    "Pra que somar se a gente pode dividir?"

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  5. agora entendi o que tuh quis dizer! ^^ pq soou como se sofismo fosse o texto inteiro! mais de fato! ler a pessoa para o bem é bom.

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