4 de fev de 2010

Telefone-sem-fio

Sabe quais as brincadeiras que mais me irritavam quando pequena? Passa-anel e telefone-sem-fio. Passa-anel porque todo mundo que ganha o anel sempre fica com aquele ar de novidade na cara. Nunca vi ninguém que ganhasse o anel e permanecesse na roda com ar de “não-aconteceu-nada”.Mas isso são só lembranças. Recordações de uma menina... Mas o que realmente me impressiona nos dias de hoje é que a tal brincadeira do Telefone-sem-fio me acompanha. Só que não é mais brincadeira. É real... E funciona mais ou menos assim: uma história (que pode ser verdadeira ou não) começa em algum lugar e vai passando de boca em boca. De ouvido em ouvido. Em cada pessoa que chega, perde um pouco do enredo, ganha mais ficção. E os personagens mudam, o roteiro ganha vida própria e – quando você vê – a história da sua vida virou uma história que você nunca viveu. Convenhamos: nada pior que uma história mal contada. Nada pior que descobrir que o Lobo Mau era bonzinho e a velha história da Chapeuzinho Vermelho não passa de uma farsa para esconder a personalidade cruel de uma neta insensível que mata a própria vó para ficar com a herança. Você pode rir (eu estou rindo agora). Você também pode achar maldade ou falta do que fazer. Mas é isso mesmo. O problema do Telefone-sem-fio está quando os personagens são reias. Não é legal quando você vê que é a sua vida (ou a vida de alguém que você gosta) que está no jogo. Pessoas não são personagens. Têm sentimentos, tem suas vidas, tem histórias escritas por elas mesmas.

(Fernanda Mello)

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